DC USA TOUR 2008 – Metroflex Gym Parte 2 – Fotos

Postado por: Miguel Chain em  24/08/2009 |

Metroflex por dentro:

Era hora de treinar, só tínhamos dois dias em Arlington. Depois de 13 horas de avião e aeroporto, mais seis horas andando pela cidade e conversando com Brian, era hora de treinar. Ou tentar pelo menos. O cansaço era enorme a essa altura. Meio da tarde, uma noite praticamente sem sono, enfiado numa poltrona apertada de avião. A última refeição decente havia sido há umas 28 horas. Nesse período só refeições rápidas e shakes. Mas lá estava eu, na academia mais hardcore do mundo. Óbvio que eu iria treinar.

Antes disso, fui checar a academia, explorar o prédio e ver com os meus próprios olhos tudo o que eu só havia visto por foto ou vídeo.

A academia é bem menor do que aparenta nos vídeos de Coleman e Branch Warren. Basicamente temos uma sala de recepção, onde fica Brian Dobson, sua escrivaninha, um armário com portas de vidros cheio de suplementos e fotos, muitas fotos coladas nas paredes. Ao lado, temos uma outra salinha bem pequena com mais fotos, desta vez o foco não bodybuilding, mas as caçadas de Brian e seus amigos. Depois, existe a sala de musculação propriamente dita, cheia de maquinas, ferro e muito peso.
Já antes de entrar na sala de recepção, já temos uma idéia do que nos espera. Ao sair do carro já podemos ouvir a música arrebentando os auto falantes. Não espere ouvir Mariah Carrey, Ricky Martin ou qualquer coisa parecida. Para Brian a música é um fator essencial para que a mente entre no estado adequado de excitação para um treino brutal. Rammenstein, Metallica, AC/DC, Tupac e DMX além das trilhas sonoras de todos os filmes de Rocky, o Lutador são escolhas certas na Metroflex.
Na salinha de recepção já podemos notar as paredes. Coladas nelas temos dezenas e dezenas de fotos e muita teia de aranha. As fotos são um show a parte na Metroflex. Elas estão por toda a academia, inclusive banheiros. Nesta sala, temos muitas fotos bem antigas de Coleman e Branch Warren. Nosso Brasileiro Miguel de Oliveira também está lá, assim como praticamente todo culturista que já pisou na terra. Tom Platz, Flex Lewis, Markus Ruhl e a lista é enorme. As fotos são principalmente tiradas em treinos ou sessões de pose na própria academia. Ainda nesta salinha, podemos ver um forno microondas pré-histórico para que o pessoal esquente suas refeições.

Ao adentrar na sala principal da academia, já nos deparamos com uma parede roxa, cheia de pôsteres (para variar) e muitas frases de motivação escritas pelos próprios membros da academia.

“Intensity, Intensity Intensity”

“IF the mind is willing, the body is able.”

“Success is more attitude than aptitude.”

“Hard can beat talent when talent doesn´t work hard.”

“IF it doesn´t scare you – it´s not heavy enough.”


Essas são apenas algumas, existem paredes inteiras com inscrições como essas e se um dia você estiver desanimado lembre-se destas frases. A minha preferida não estava rabiscada na parede, mas sim em um quadro:

“Train Like a Champion Today.”

Era isso o que eu pretendia fazer! Continuando a visita pela academia, pude ver algumas esteiras e bicicletas amontoadas em um canto. Todas cobertas de poeira e teias de aranha. A visão me remetia a algum filma de ficção cientifica, onde ruínas de uma civilização antiga eram encontrados. Todas as esteiras devem ter no mínimo uns 25 anos e a maoria tinha um bilhete pregado dando um aviso:

“Out of order” Fora de serviço, ou simplesmente quebrada. O papel com o aviso parecia tão velho quanto a própria esteira. O que demonstra a vontade (ou falta de) de consertá-las. Tenho certeza que o pessoal de lá não sente falta delas.

Agora eu tenho uma visão completa da academia, o chão tem tapetes espessos de borracha, mas nem sempre eles cobrem toda a superfície. Logo abaixo dos tapetes de borracha, areia é o terreno. A cada passo dado, a cada halter jogado no chão, uma nuvem de poeira espessa se levanta. Me dirigi aos racks de halteres. Eles ficam bem em frente ao espelho. Acima do espelho mais fotos, desta vez o destaque são competições. Avisos colados ao longo dos racks pedem em vão aos usuários que guardem os halteres no lugar após seu uso.
Os halteres são outro espetáculo á parte nesta pequena academia. Eles vão desde 10 libras ( 4,5 kgs) até 250 libras (115 kgs aproximadamente). Temos os famosos halteres hexagonais, mostrados nos DVDs de Ronnie e Branch, temos os halteres redondos, que parecem que vão desmontar a qualquer segundo. Um fato bem inusitado é que aqui, todas as barras são tortas. O numero de pessoas que usa muito peso nas barras é grande por lá. Por isso, ao longo dos anos, as barras foram se entortando. Mas mais curioso que isso é o fato de que até os halteres têm suas pequenas barrinhas entortadas! Sim! Você por acaso não acha que alguém vai usar um halter de 40 kgs e colocá-lo no chão cuidadosamente na academia mais hardcore do mundo, acha? Ao final de cada série, os halteres são carinhosamente jogados ao chão. Com isso, eles foram entortando com o tempo.
À medida que andamos em direção ao lado dos halteres mais pesados, maior se torna a bagunça, muitos deles estão amontoados no chão. Tentei tirar o monstruoso halter de 115 kgs do rack, mas ele nem se moveu do lugar!

Andando um pouco mais às frente, cheguei à parede onde estão fixadas as duas barras paralelas usadas para fazer mergulho. Quem viu o vídeo de Branch Warren, onde ele faz mergulho para peito com várias correntes no pescoço sabe do que estou falando.

Continuando a peregrinação pela academia, avistei um banco de supino curioso. Ele foi feito com suportes para halter. No lugar de um suporte para guardar a barra, existem dois suportes para que se coloquem os halteres. Isso ajuda quem adora fazer supino com halteres, pois permite que se pegue o peso já em uma posição favorável. Poucos academias no mundo poderiam se dar ao luxo de ter um banco de supino exclusivo para o uso de halteres. Para a maioria não é economicamente viável.
A academia possui uma quantidade enorme de máquinas bem antigas, muitas delas feitas sob encomenda para a Metroflex, outras delas reminiscentes da era Nautilius. Por outro lado, encontramos algumas das melhores peças de equipamento que o dinheiro pode comprar como Leg-Press Nebula, o qual Ronnie usa no vídeo “The Cost of Redemption” fazendo séries de 8 – 10 reps com mais de 1100 kgs. Não treinei pernas na Metroflex, mas experimentei esse leg-press e posso dizer uma coisa – Ele é bem pesado.
Além desse leg-press, também experimentei, em umas duas séries, a cadeira extensora que Ronnie usa no mesmo vídeo. Ele faz umas 20 repetições com a pilha toda e mais duas anilhas de 45 libras (20 kgs) presa na máquina. Não sou um monstro, nem um gigante, mas sou bem forte nas pernas. Em um bom dia consigo fazer agachamento com 180 kgs para 6 a 8 repetições bem fundas. Sentei na tal cadeira extensora, obvio que o aquecimento nem o foco mental estavam em treino de pernas, mas coloquei metade da pilha e consegui fazer 8 repetições. Claro que se eu fosse treinar pernas, estivesse descansado, comido bem etc conseguiria fazer talvez umas 12 reps com metade da pilha. Isso colocou em perspectiva para mim como Ronnie é extremamente forte.

Em um outro canto da academia, perto de um banco de supino oficial para powerlifting, estavam uma dezena de barras de todos os tamanhos e formatos, uma caixa enorme de madeira cheia de pegadores, ganchos, presilhas tudo quebrado. Tentei revirar um pouco as coisas para ver o que encontrava, mas preferi não fazer por receio de encontrar a aranha que havia feito todas aquelas teias pela academia. Talvez eu encontrasse coisa pior! Melhor deixar a “caixa” sossegada.

No mesmo canto, pude encontrar algumas bolas de concreto, barras que se assemelham troncos de arvore e outros materiais especificos para treinos de strongman. Para combater o calor, imensos ventiladores industriais são distribuídos pelo prédio. Um pouco mais ao lado, encontraria uma coisa que me surpreendeu de verdade. As correntes:

Presa á parede, uma espécie de trave dá suporte a várias correntes penduradas. As correntes tem mais ou menos 1,60 m de comprimento e cada um de seus gomos é imenso. A espessura e peso de cada corrente varia e elas são posicionadas por cima dos ombros para aumentar o peso corporal em exercícios livres como mergulho ou barra fixa. Volto a citar o DVD de Branch Warren. Nele, o texano faz algumas séries de mergulho na paralela com até três correntes enormes no pescoço. Temos correntes de até 60 kgs ali. Achou a idéia das correntes meio rústica? Lembre-se que estamos na Metroflex.

Um pouco mais ao lado das correntes, fica outro ponto famoso da Metroflex. É naquele lugar que são realizados o terra e o agachamento nos vídeos de Coleman. Ao fundo, encostado na parede, um banquinho bem simples de madeira. É nele que Ronnie se senta para amarrar as faixas elásticas em torno dos joelhos logo antes de uma série pesada agachamento.

Photobucket

Bem à minha frente, estavam os dois postes onde se apóia a barra de agachamento. A academia tem um ou dois racks – espécies de gaiolas – para que se apóie a barra com segurança na hora do agachamento. Mas a grande maioria prefere usar estes postes com suportes hidráulicos que mais parecem um macaco para trocar pneus de carreta. Provavelmente postes comuns, encontrados por aí nas academias não suportariam a pressão de “trabalhar” na Metroflex. Agachamentos com mais de 280 kgs são acontecimentos quase que diários por lá. Por isso a necessidade de um equipamento especial.

Estamos chegando perto de outro canto da academia, passo por mais um daqueles ventiladores industriais enormes. Bem no canto da sala descansa uma barra. Uma de suas extremidades está fixada em uma espécie de suporte articulado junto à parede. Na outra ponta, duas anilhas estão colocadas. Nesse canto é realizada a remada cavalinho, ou T-Bar Row.

Este é mais um local imortalizado pelos vídeos e certamente mais um local inusitado. É óbvio que assistir aos treinos de um Mr Olympia vai te influenciar positivamente sempre. Você vai querer usar as técnicas dele e os mesmos exercícios que ele. Por isso a remada cavalinho é outro exercício que 100% das pessoas que treinam na Metroflex fazem.

Muitos juram que este exercício, junto com o levantamento terra, é o responsável pelo desenvolvimento dos melhores dorsais da América. O chão, bem onde as anilhas colocadas na barra descansam, é afundado. Um buraco arredondado causado por anos uso. Como ninguém treina leve e ninguém guarda os pesos com carinho após uma série. Durante anos, toneladas de peso foram sendo jogados naquele mesmo ponto do chão, causando uma deformação, uma valeta.

Há alguns anos, sabemos que era preciso que alguém pisasse na extremidade livre da barra para que ela não se levantasse. Mesmo apoiada no canto da parede, ela poderia se soltar e levantar quando muita carga é utilizada. Quem já fez esse exercício sabe do que estou falando. Portanto, era sempre necessário um parceiro que pisasse na barra para você. Outro ponto que os donos de academia não gostam muito é que o atrito da ponta da barra acaba arrebentando tudo na parede – rodapé, piso, reboque etc. Claro que isso não é problema por lá.
Quando cheguei lá, notei algo bem interessante. Eles haviam construído um suporte no canto da parede. São três faces de ferro, soldadas. Uma fica no chão, as outras duas encostadas na parede. Nesse suporte, existe uma luva, onde encaixa a ponta livre da barra. Essa luva tem duas articulações que permitem que a barra se movimente livremente para cima e para e para os lados. A foto ilustra melhor.

Andando um pouco mais, tentando me desvencilhar das teias de aranha, cheguei ao local onde estão quase todas as maquinas de perna. São uns dois suportes de agachamento tipo gaiola; um leg press 90º muito antigo; maquinas Smith que também não parecem ser novas. Testei uma delas e o deslizamento é perfeito, tudo balanceado e dá pra treinar muito bem nela. Logo ao lado duas panturrilheiras gigantescas. Uma com pilha de tijolos de pesos e outra onde é preciso colocar anilhas.

No meio de tudo isso, encontrei um pull-over Nautilus, com cinto de segurança para amarrar o sujeito firme no lugar. Já bem perto de uma das portas da academia, cheguei a uma espécie de cemitério de máquinas. Nesse local ficam amontoadas diversas maquinas muito antigas, provavelmente quebradas e sem condições de uso. No mesmo local temos um pneu gigante de trator usado em competições de Strongman e até alguns barris de chopp!!

 

A essa altura, tive que esgueirar por entre as maquinas para ter acesso a um dos banheiros. Temos dois banheiros lá, um reservado, onde ninguém tem acesso; e esse outro que fui conhecer. Nenhum dos dois tem chuveiro ou qualquer utensílio que nos traga as palavras higiene ou conforto à mente.
Na parede fora do banheiro, mais frases de incentivo rabiscadas. Dentro do banheiro fotos e mais fotos dos atletas. Para quem viu o vídeo, percebeu minha expressão de alegria ao entrar no banheiro. Lá dentro podíamos encontrar pôsteres de Dorian, Arnold, Ronnie. Como deve ser a sensação de fazer força juntamente com seus maiores ídolos? Um pequeno espelho, um vaso meio sujo e um desentupidor de privada é o que podemos encontrar lá dentro. Ah, e claro, mais um quadro com uma frase de incentivo – bem em frente ao vaso sanitário – “Do it for your health.”

Após esse pequeno tour pela academia mais hardcore do mundo, finalmente era hora de treinar.

 

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