Fotos comentadas do Arnold Africa 2016

Postado por: Miguel Chain em  03/06/2016 |

Fotos comentadas Arnold Africa

O Arnold Africa foi realizado no último fim de semana, 28/05, e teve Dexter Jackson como vencedor. Foi um belo show, com uma disputa acirrada pelo Top 3 Dexter Jackson (Campeão), Roelly Winklaar (2º) e Lionel Beyeke (3º).  Victor Martinez ficou em quarto e Fred Smalls em quinto.


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É sempre bem complicado analisar e julgar físicos por fotos, algumas vezes o atleta não está perfeitamente de frente para a câmera, outras vezes ele ainda está armando a pose. Sempre digo que videos são melhores que fotos e ver ao vivo é melhor que vídeos. Mas eu já tive a oportunidade de conhecer todos os atletas dos quais falarei, pessoalmente. Já vi alguns treinando ao vivo, já os vi posando e se aquecendo bem de perto no backstage de shows Pro que eu estava cobrindo. Por isso fico bem à vontade para comentar e fazer alguns destaques gráficos desse show através de algumas fotos interessantes que separei.

 

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Nessa primeira foto, tirada durante as prévias, temos os quatro primeiros colocados e Mike Kefalianos, que ficou em sexto, fazendo a pose abdominais e coxas. Um dos fatores a ser observados nessa pose é a ilusão gerada por dorsais e coxas largos e bem desenvolvidos aliados à cintura fina e estreita. Isso dá a impressão de um formato em X do físico do atleta.

Alguns fatores são importantes para que se consiga essa ilusão. Devemos citar primeiro os fatores estruturais –  estrutura óssea de ombros larga e quadril estreito.  Depois citamos os fatores musculares – dorsais, triceps e quadriceps volumosos contribuem. Por último, mas não menos importante – o modo de posar. Saber posicionar as pernas, com leve flexão de joelhos e rotação externa de quadril, contração de reto abdominal, oblíquos e transverso do abdome e posicionamento dos braços acima da cabeça.

O pior do grupo é Kefalianos. Com um quadril muito largo e coxas que poderiam estar mais desenvolvidas e volumosas – além de um mal posicionamento das pernas – o deixaram parecendo um bloco, reto.

Roelly Winkallar (sunga preta) até conseguiu usar o posicionamento de pernas um pouco melhor, mas seu quadril e cintura largos atrapalham bastante nessa pose. Victor Martinez (na extrema esquerda) é um atleta que tem vantagem estrutural, com ombros largos e quadril estreito, bom volume nos dorsais, mas perde pontos pela linha de cintura, larga e falta notável de volume nos quadriceps.

Notamos que Dexter consegue aliar todas as características citadas acima, e como as linhas nos mostram, ele consegue trazer uma excelente ilusão em X. Sem falar que seu condicionamento estava no ponto. Obliquos cortados, quadriceps separados. Ele foi o melhor nessa pose. O único nesse grupo que poderia superá-lo, seria Beyeke, logo à sua direita – Ele tem os fatores estruturais e musculares tão bons ou melhores que Dexter, mas seu condicionamento e definição não estavam tão bons e sua pose, no momento da foto (ênfase – no momento da foto) não estava tão boa. As pernas poderiam estra melhor posicionadas.

 

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A partir de agora, vou concentrar nas fotos dos Top 3. Aqui temos a pose duplo biceps de frente. Mais uma vez, chamo a atenção para o efeito de ilusão do corpo em X. Com os dorsais mais desenvolvidos, Dexter leva vantagem nessa pose. Beyeke vem logo atrás e mais uma vez poderia ter batido Dexter, caso estivesse com um pouco mais de volume nos quadriceps e dorsais, além de um melhor condicionamento de definição (para mim, o fator mais decisivo para que ele não levasse o título). Nessa foto, podemos perceber que Beyeke já posiciona bem melhor suas pernas.

Outra coisa a ser considerada aqui é a definição e separação musculares. O volume muscular dos três é meio que parecido, por isso, fatores como proporção, shape e definição acabam tendo um peso enorme na hora dos árbitros decidirem quem vence.

Nesse grupo, Roelly era o pior condicionado, seus braços não apresentam separação ou detalhe muscular nessa pose (mas podem ser considerados os melhores do show em poses como triceps de lado e peitoral de lado), seu abdome parece conter uma boa camada de líquido e talvez um pouco de gordura. Não é possível ver os abdominais e oblíquos com clareza.

 

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Mais um confronto interessante e volto a bater na tecla das características estruturais – elas não podem ser mudadas completamente – mas podem ser melhoradas com bastante esforço. Na pose expansão de dorsais de frente percebemos que Dexter é o mais estreito dos três, porém, todos parecem ter uma relação largura de ombros/largura do quadril bem parecida.

Beyeke é o que os ombros mais largos e também tem a melhor relação ombros/quadril. Para mim, ele é o vencedor da pose. Mais largo, pernas bem posicionadas, quadriceps bem cortados e abdominais no ponto. Outro fator é que ele é o único a levantar o peito durante a pose, que destaca ainda mais a largura de seus ombros e é estéticamente mais agradável na minha opinião pessoal.

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Agora temos a pose Peitoral de lado. Todos os grupos musculares são analisados em todas as poses. Os árbitros escrutinam todo o físico do atleta. Mas nessa pose, algumas características são importantes.

A separação e definição das panturrilhas é uma delas.  O volume dos femorais é algo bem importante nas poses de lado. Aqui podemos perceber Beyeke leva desvantagem nesse grupo muscular, porém tem o quadriceps mais volumoso entre os três. Isso acaba o deixando um pouco fora de proporção na região das coxas.  Dexter é o mais balanceado nessa região, com glúteos fibrados, femorais e quadriceps volumosos, excelente separação entre quadriceps e femorais.  Winklaar é mais proporcional que Beyeke, mas está com pouquíssima separação muscular na região.

Apesar de ser uma pose de lado, os atletas fazem uma leve rotação de tronco, a fim de dar a impressão de mais espessura e largura  na região de ombros e peitoral. Nesse momento, Roelly começa a superar Beyeke na luta pela segunda colocação. Ele tem ombros melhores e mais redondos, braços maiores e com mais separação muscular entre triceps, braquial e biceps. Seu peitoral não está tão cheio quanto o de Beyeke, mas está mais fibrado.

Dexter ainda reina supremo por aqui, com coxas mais proporcionais e definidas, bons braços e ombros cheios, redondos e fibrados, ele tem o melhor conjunto.

 

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Essa é uma foto legal e importante para mostrar uma qualidade muito importante na região das costas: A separação muscular nítida entre grande dorsal e os eretores da espinha na região lombar.

É muito importante,  para o fisiculturista, ter dorsais bem desenvolvidos. Como eu disse acima, a região superior dos dorsais bem volumosa é vital para que o atleta consiga o efeito em X no seu físico. Mas se pode negligenciar a região inferior dos dorsais, que se insere próximo da regiao lombar. A parte inferior do dorsal bem desenvolvida e eretores da espinha densos e fibrados, criam a formação chamada de “Árvore de Natal“.

Isso tudo é bem bonito e legal nas revistas e Instagram, mas quando se está em cima de um palco, os árbitros vão analisar isso tudo de maneira bem menos romântica. Eles irão procurar por uma linha nítida e bem definida que determina a separação entre a parte inferior dos dorsais com a região lombar.  E nessa foto, onde os atletas estão fazendo a transição entre uma pose e outra (eles estão se preparando para um duplo biceps de costas), podemos perceber o quanto Beyeke é privilegiado nesse sentido. Seus dorsais são enormes e parecem ficar litralmente pendurados nas costas dele. Eu já pude vê-lo bem de perto posando no backstage do Arnold Brasil e vou dizer, ver suas poses de costas foi uma das cenas mais impressionantes que vi no bodybuilding.

Reparem que Dexter tem essa linha divisória não tão nítida e Roelly praticamente não tem.  E isso nos leva à próxima foto.

 


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Vejam que agora, durante a pose, ainda podemos ver claramente as linhas nos dorsais de Beyeke e até notamos nos de Dexter.  Mas A região inferior das costas de Roelly estão totalmente lisas, sem separação ou delimitação de onde terminam os dorsais e começa a região da musculatura lombar.

isso se deve ao foto de que Roelly tem a região inferior dos dorsais pouco desenvolvida. Na verdade, notamos pouca densidade e separação muscular nas costas de Roelly. Podemos dizer que somente o trapézio nos salta aos olhos.

Por outro lado Dexter e Beyeke travam uma batalha dura, com Dexter levando uma leve vantagem por ter a parte superior das costas com mais detalhe e separação muscular. Dexter também parecia ser o mais seco na região dos glúteos e femorais, embora eu ache que os três decepcionam bastante nos femorais nas poses de costas. Nenhum deles parece conseguir mostrar boa separação muscular nessa região.

 

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Fechando esse artigo, temos a pose Most Muscular, uma das mais agressivas e adoradas do Bodybuilding. Nessa foto, especificamente, Roelly consgue se aproveitar bem de seu posicionamento – se inclinando bem para frente e usando os braços de maneira eficiente para parecer mais largo.

Mas o que eu queria mesmo destacar é uma coisa que poucos atletas levam em consideração. Os deltóides. Vejam que os deltóides de Dexter estão totalmente fibrados e cortados. Estão cheios, mas não há sinal de caroços ou calombos que não condizem com a anatomia dos ombros.

Roelly, por outro lado, não apresenta estriações e cortes em seus deltóides. A única separação que vemos é um calombo na região da cabeça medial do deltóide – provavelmente por estar cheia de óleo. Muitos atletas e treinadores tendem a acreditar que isso é uma coisa boa, que aumenta o volume dos ombros e ajuda no shape. Mas na verdade, acaba atrapalhando.

É claro que o Dexter também toma suas injeções, mas não apresenta essa característica. Eu estou apenas especulando, mas isso pode ter a ver com quantidade, frequência e distribuição das aplicações. O Bodybuilding é uma arte e consiste de se conseguir excelência em uma série fatores. Esse é mais um deles.

Vence quem consegue atingir o melhor conjunto físico, quem conseguir administrar todas as variáveis e estratégias da melhor maneira possível. E o Dexter parece ser mestre nisso.